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Durante uns anos tive o hábito de fotografar as camas onde dormia. Acompanhava este ritual, algo fetichista, um vago pressentimento de que um dia algo interessante ou relevante poderia advir destes registos: algures entre o confessional esteticizado (que reneguei há muito, mas que permaneceu, espectral, até ao momento da sua dissolução violenta) e o potencial estatístico que entretanto contaminou as vanguardas (data visualization and the like).
Na minha condição de viajante frequente, as fotos de quartos de hotel acumularam-se até ao ponto de já não saber identificar a sua proveniência, e deste modo o investimento neste registo foi-se progressivamente evaporando.
Resta o espólio, como matéria-prima de outras metáforas. Neste caso, um céu tempestuoso cobre Paris, na viagem de regresso numa tarde tórrida de 2009; o mesmo Sol, num outro tempo qualquer, ilumina a tal cama, o epicentro do universal “lar doce lar”.
Sweet Dreams and Sweeter Realities. 2012.
Gostei destas imagens.
Sim, podem ser memórias para um tempo qualquer.
Memórias marcadas pela luz.
Desses momentos, naturais e docemente belos.