Poupem-me!

Vi agora o vídeo da polémica “Portugal explicado aos alemães”. Argumentação ingénua, actores (?) sofríveis, realização irritantemente ambivalente, entre o anúncio turístico e um programa de jardim-escola. Um “murinho de Berlim” ao som dos Pink Floyd… meu Deus, em 2012. E tinha de vir a ninfa de serviço que abraçou o polícia na manif. Brandos costumes, tão amados quanto perversamente anquilosantes. Amados -porque- anquilosantes, arriscando uma leitura psicanalítica.

O importante é dito a partir dos 4 minutos, mas como vem na recta final a pachorra já se esgotou. Ou seja, inadvertidamente o anúncio revela os mesmos motivos pelos quais Portugal se encontra no abismo: ingenuidade, ausência de pragmatismo, mediania indiscriminada, incapacidade de sintonia para com a modernidade. Uma infografia animada com metade da duração teria sido infinitamente mais eficaz, mais apelativa… e infinitamente mais barata.

Penso que a Alemanha não quer censurar este vídeo: não está é interessada em pequenas excentricidades. Que fique claro: sei além de qualquer dúvida que toda esta situação é uma gigantesca imoralidade que desabou sobre nós. Mas igualmente sei que, a sensibilizarmos o “outro” para a obscenidade que nos foi imposta, somos capazes de infinitamente melhor. E em verdade teremos de o ser, dado que, a ficarmos reduzidos a este tipo de produções caricatas munidas de uma chancela mediática desproporcionada, ainda mais estigmatizados seremos.

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