Solstício e Ocaso

Sobre a extinção do feriado de S. João, cito: “Considerando o que vem determinado na Lei da Assembleia da República, gozar feriados municipais sem deliberação clara do Conselho de Ministros é uma violação da lei, e os decisores podem ser responsabilizados por isso”.

Há uma doença galopante a tomar exponencialmente conta de todos nós. Chama-se medo. É uma espiral contagiosa que só encontra alívio em leis, decretos, decisões superiores: perversamente, esse alívio transitório piora os sintomas. E alastra, trava e arrasa tudo em seu redor.

O que esperamos dos nossos líderes é precisamente que tenham a coragem de tomar as decisões certas. Que enfrentem os monstros legais, quando necessário, em nome da justiça e do direito inalienável à felicidade e ao património. Aqui, declaram tão somente o seu medinho de sobrar para eles. Suga-se a vida em nome do expediente.

A celebração ancestral do Solstício de Verão é assim extinta de uma assentada, com base numa qualquer leitura de um decreto-lei ambivalente. Saberão estes líderes da necessidade ontológica, para além da História, de assinalar as Estações? Brinca-se com os deuses, meus caros.

Cheira a fim de era, cada vez mais: desgosta-me ver que tivemos todos os ingredientes nas mãos para construir um mundo verdadeiramente superior, e algures deitámos tudo cano abaixo. Faltou-nos lucidez, restam os afectos e a Fé, intemporais que são. E cura, quem sabe, já que não haverá decreto-lei que os contenha.

solsticiorepublica

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