History in a Hotel Bar

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Vou ter de investigar porque é que os anúncios televisivos andam a karaokizar a história da música pop. Ele é Leonilde dos Beatles, ele é I Want You Back dos Jackson 5, ele é Give a Little Bit dos Supertramp… Tudo em versão desinfectada, fluffy, sem cor nem alma (em boa verdade, em alguns casos, já não havia grande alma para espremer, mas noutros a alma residia e bem: era gutural, visceral, celebratória).

Será estritamente uma questão qualquer de copyright que entrega os temas às cordas vocais de session singers de bar de hotel, ou é mesmo porque supostamente em 2013 tem tudo de ser neutro e estéril?

Foi uma banda asquerosa chamada Nouvelle Vague que legitimou esta praga, suponho… Uma “gaja do magnum” a “cantar” Ian Curtis em sussurros sexy? LOVE WILL FREAKIN TEAR US APART…. BABY???… Depois disto, efectivamente, vale tudo. Amnésia, esquizofrenia, dissociação entre forma, conteúdo e contexto. Começo a suspeitar que o Michael Jackson é que sabia: quem sabe se o fetiche dele pelo Propofol não seria tão somente a versão auto-estrada do nosso quotidiano. Chegou lá primeiro.

Agora mesmo foi o Dock of the Bay do Otis Redding, cantado por um zombie anónimo de voz anódina. Ando claramente pelos sítios errados… Ou  é pelos sítios errados que os síndromas de 2013 se revelam e nos confrontam?

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