As Vísceras da Utopia

Breve ensaio de apresentação da exposição “Grândola Vila Moderna”, de  ± / Miguel Januário. Abre a 24 de Abril, 22h, no Maus Hábitos.

Nos 40 anos sobre a Revolução, celebra-se aqui a primeira década de ±. Por entre uma enciclopédia de exercícios de ironia, drama premeditado e labirintos de circularidade, espreita, ainda e sempre, a nossa utopia: desencantada, adiada, traída, volvida cínica porque nunca lhe agarrámos as vísceras, nunca a obrigámos a cumprir-se.

± encena a expiação desta falência, e realiza igualmente a sua psicanálise. É um espelho de lucidez sobre as nossas disfunções – e ao torná-las legíveis, afirma a possibilidade de delas nos emanciparmos.

± inscreve, nas paredes e na nossa consciência, este léxico de proto-emancipação: por entre os escombros do desgoverno, da infinita desolação, toma forma um mapa de quotidianos, promessas e possibilidades. As tais vísceras, a tal utopia. A tal Grândola.

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