A mimetização da lucidez

Sobre a Eurovisão e o favorito deste ano. Interessei-me pelo fenómeno Salvador, como expliquei o ano passado; porque havia ali uma ruptura declarada com a fórmula da euforia e as expectativas de alucinação – ruptura simultaneamente lúcida para com o que podia ser um regresso a um léxico musical mais sóbrio, mais autoral.
Samplei portanto no youtube o Diogo, favorito de 2018…
… entristeceu-me verificar como a herança do fenómeno eurovisivo Salvador parece ser a sua simples mimetização, sem nenhuma da sua acutilância. Música pobre, banda sonora de supermercado vendida como erudição. Simulacro instantâneo da singularidade, a picar o ponto neste negócio da neo-melancolia mui portuguesa (vende bem para turistas)…
Suspeito que os nossos parceiros irão trazer baladas requentadas a rodos, todos a tentar a sorte nas sobras pós-Sobral. Deixem lá o plágio, estas coisas já nascem mansas, genéricas, estafadas; o Salvador foi só uma irregularidade de lucidez.

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